1 de fev. de 2009

Pittsburgh Steelers, os maiores da NFL!

Sei que existem poucas pessoas no Brasil que curtem ver futebol americano. Muitas vezes porque o jogo é constantemente parado e dura mais de quatro horas, ou porque as regras são complicadas. Uma equipe participa de uma partida com 45 jogadores e existem três formações diferentes: o time de ataque, de defesa e de táticas especiais. Parece um esquadrão militar. E na verdade realmente o é.
Mas não existem ninguém em sã consciência que negue a grandiosidade do espetáculo de um Super Bowl. Nem meu pai, grande adorador do Rugby (o futebol americano, assim como nosso futebol, surgiram do Rugby), por acreditar que é um esporte mais cavalheiro, sincero, charmoso e sem todas aquelas proteções, poderia diminuir a maior sensação durante um ano esportivo. Sim, maior sensação. São recordes de transmissão e de público atingido a cada ano.
E no Super Bowl XLIII não poderia ser diferente. Pela quarta vez na história a grande final seria jogada em Tampa Bay, na Flórida, e pela segunda vez no Raymond James Stadium, a casa dos Buccaneers.
De um lado o Pittsburgh Steelers, do excelente quarterback Ben Roethlisberger, do sempre efetivo running back Willie Parker, do fora-de-série wide receiver Santana Holmes e de um dos melhores safetys da liga Troy Polamalu contra o Arizona Cardinals do ex-aposentado quarterback Kurt Warner (que chegou a trabalhar em um supermercado antes de ser trazido de volta à NFL), de um muito bom wide receiver Anquan Boldin e do espetacular e talentoso wide receiver Larry Fitzgerald.
De um lado Steelers, cinco vezes campeão e grande favorito e de outro o desacreditado Cardinals, que é a equipe mais antiga da NFL, fundada em 1898, e que as casas de apostas davam 40 para 1 dólar apostado caso o Arizona chegasse ao Super Bowl XLIII. Para efeito de curiosidade: o Arizona Cardinals é a segunda maior "seca" de títulos dos Estados Unidos. Seu último troféu Vince Lombardi foi em 1947, perdendo só para o Chicago Cubs, da MLB, que venceu a World Series pela última vez em 1908.
E a partida já havia começado bem quente. O Big Ben em primeiro momento conseguiu um touchdown em uma corrida própria, mas após o review dos árbitros, a pedido do treinador do Cardinals que usou o direito do challenge, provou-se que o quarterback tocou o joelho no chão antes da bola passar a linha. Grande jogada do treinador dos Cardinals, Ken Whisenhunt. Sobrou apenas o field goal e o primeiro quarto terminaria 3 x 0 para os Steelers.
Logo no começo do segundo quarto, Gary Russell corre a única jarda que faltava e anota o primeiro touchdown da partida: 10 x 0 Steelers.
A resposta veio rápida. Kurt Warner, com os Cardinals já na red zone, dá um belo passe para Ben Patrick (camisa 89 na foto abaixo) e a vantagem diminui para três pontos.
Aí que aconteceu o inacreditável. Nos últimos Super Bowls tivemos alguns grandes recordes quebrados. Por exemplo no ano passado o invicto Patriots perdeu para o Giants de Eli Manning e no ano anterior Devin Hester, do Bears, fez o touchdown mais longo em uma devolução de kick-off da história. E neste ano foram três recordes que cairam. E o mais impressionante aconteceu faltando 18 segundos para acabar o segundo quarto. Cardinals está novamente com a bola na red zone e Kurt Warner lança para, enfim, colocar o Arizona na frente. E é quando aparece o line back James Harrison (camisa 92 na foto abaixo). Ele intercepta a bola na linha de uma jarda e corre todas as 100 jardas do campo para completar o maior touchdown em uma bola interceptada de um Super Bowl. Oww yeah, James Harrison. Depois ele teve que usar uma máscara de oxigênio. Que corrida magnífica. E intervalo de jogo: 17 x 7 Steelers.
E no intervalo da partida Bruce Springsteen and de E Street Band tocaram quatro músicas e fizeram um pocket show de primeira qualidade. Em 12 minutos Bruce cantou "the wrestler", "Born to run", "Working in a dream" e "Glory days". Impagável.
Já na volta da partida, principalmente no terceiro quarto, as defesas se sobresairam. Após diversas chances para touchdown, os Steelers apenas conseguiram anotar outro field goal com o kicker Jeff Reed. Final do terceiro quarto 20 x 7 Steelers.
A partida parecia decidida. Apenas parecia. Em um último quarto espetacular, as duas equipes mostraram em 12 minutos de partida o por que de estarem no Super Bowl. Com uma defesa muito mais agressiva os Cardinals pressionaram muito o quarterback Roethlisberger e conseguiram pontuar três vezes seguidas usando da tática no huddle (quando o quarterback não se reúne com sua equipe antes da jogada, usado para não desperdiçar tempo). Primeiro com um touchdown da sensação Fitzgerald, recebendo lindo passe de Kurt Warner na end zone.
Depois, após uma falta da defesa do Steelers, conseguiu mais dois pontos com o safety dado.
E, o que ninguém acreditava, aconteceu. Após uma linda corrida de 64 jardas de Fitzgerald, o Arizona virava o placar para 20 x 20, faltando 2m47s para terminar a partida (Fitzgerald comemorando na foto abaixo). Nessa jogada Fitzgerald quebrou o recorde de touchdowns em playoffs, sete ao total, e o número de recepções em playoffs, 32 no total. Parecia que enfim o tabu cairia, que os desacreditados do Arizona conseguiriam levantar o Vince Lombardi e colocaria Kurt Warner definitivamente no Hall da Fama.
Porém também no no huddle, Ben Roethlisberger completou a magia de uma das maiores finais de Super Bowl de todos os tempos. Em um drive de 2 minutos apenas avançou 78 jardas e lançou a bola do campeonato para Santana Holmes (camisa 10 na foto abaixo), dentro da end zone, desmanchar o sonho dos Cardinals. 27 x 23 Steelers.
Nos últimos suspiros, Warner nada conseguiu fazer e até foi interceptado faltando cinco segundos para o final, decretando o sexto título dos Steelers, agora o maior vencedor do Super Bowl em toda a NFL.
E só para constar: Santana Holmes foi eleito MVP da partida. Na minha opinião deveria ter sido o Big Ben.
Abaixo os melhores momentos do Super Bowl XLIII:

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