19 de ago. de 2009

A burrice de uns é (e) a sorte de outros

Partida de ida, disputando uma vaga na fase de grupos do maior campeonato do mundo, a UEFA Champions League. Jogando em casa, seu time está perdendo por 1x0. aos 13 minutos do segundo, em uma bola sobrada, o jogo é empatado e na comemoração do gol a camisa é tirada. Tal gesto não passa despercebido pelo árbitro, que aplica a rgra e mostra o cartão amarelo. Como já tinha recebido um cartão amarelo no primeiro tempo, é o segundo, consequentemente o vermelho.
Qualquer cidadão que acompanha futebol sabe disso, toda criança, até mesmo os marcianos. Menos os mais atingidos pelas regras do jogo: o jogador de futebol.
É inadmissível que um atleta profissional, que recebe muito dinheiro pelo que faz e carrega uma enorme responsabilidade nas costas, seja com os torcedores, coms os patrocinadores ou com a instituição que ele representa, tenha um desconhecimento da regra, atitudes infantis ou a simples falta de concentração e responsabilidade em campo.
O ato de tirar a camisa já é uma burrice com aquele que paga os seus salários, mas se torna estúpido quando o jogador sabe que pode ser punido e incompreensível quando este jogador já possuia um cartão amarelo anteriormente.
Este fato aconteceu na partida Sporting 2x2 Fiorentina. Vargas havia aberto o placar logo no começo da partida. Aos já citados 13 minutos do segundo tempo, Vukcevic, no mesmo instante que trás as esperanças de volta para os torcedores leoninos, consegue deixar todos seus companheiros na mão tendo que se retirar do jogo. Com um a menos em campo o Sporting ainda conseguiu a virada com um golaço de Miguel Veloso, ams sucumbiu a pressão italiana e teve que se comformar com o empate de Gilardino.
Não tenho dúvida que esta expulsão custou ao Sporting a vaga na fase de grupos, onde o clube lisboeta lucraria incontáveis Euros a mais para seus cofres, e que atitudes como esta de Vukcevic deveriam receber penas pesadas, esportivamente e financeiramente. Porque depois tem torcedor por aí dizendo que a culpa é do treinador...

A outra partida importa desta noite aconteceu na Escócia. O Celtic mostrou, como sempre, força física, forte marcação e só. O Arsenal foi infinitamente mais tímido do que frente ao Everton, mas teve o controle do jogo e a defesa pouco incomodada durante quase todo o jogo. E isto para início de temporada é muito importante. Arsenal não mostrou um belo futebol, mas quero acreditar que foi devido a ordens de Arsène Wenger que queria ver o time com mais posse de bola e tocando ela com mais paciência, consequentemente retardando o jogo. Pensamento coerente, se pensarmos que um 0x0 não seria um mau resultado. Mas a sorte esteve com os Gunners. Duas bolas desviadas, 2x0 no bolso e a vaga (praticamente) assegurada.
Mas será que foi tanta sorte assim????
No primeiro gol é evidente e cristalino que a corrida de Gallas é um movimento treinado. Reparem que ele vem do lado oposto da área, saindo inclusive de um impedimento. Tal jogada se deve a dois motivos: dificultar a visão do goleiro e ter uma peça no rebote do lado esquerdo daonde a falta foi batida. A bola desviou em suas costas, como poderia ter batido e voltado ou saído. O fator sorte está no resvalo da bola, mas a jogada em si é treinada e tem seu propósito.
No segundo gol, por mais que tenha sido gol contra, é uma jogada muito bem trabalhada. O jogador que puxa a arrancada no meio, em 95% dos casos, tentaria enfiar a bola, nas costas da zaga para o atacante que estava se infiltrando por alí (van Persie no caso). Inteligentemente a bola foi colocada para fora da área, para mais longe do gol (olha o paradoxo que muitos que vêem futebol não entendem), para um jogador que está com uma má cobertura da defesa do Celtic porque o lateral escocês teve que dar combate na nascente da jogada. Mas porque tocar para o lateral? Simplesmente para aumentar numericamente a presença na área. Com esta abertura de jogada, um dos três zagueiros tem que sair e combater, assim os dois zagueiros que sobraram ficaram no mano a mano com os dois atacantes do Arsenal, somado a dois meias (um que deu o passe para a lateral mais um segundo meia) que teriam assim mais tempo para entrar na área e serem uma opção de finalização. Não existiria tempo para os laterais do Celtic fecharem ou os volantes chegarem.
Vejam:

Toda sorte, em qualquer gol, em qualquer profissão, vem acompanhada de muito trabalho, inteligência e talento. A sorte só sorri para os merecedores. E estes meninos do Arsène Wenger merecem.

17 de ago. de 2009

O chute certeiro do treinamento é a beleza rara do resultado

Particularmente existem dois motivos porque eu adoro o futebol europeu e sempre prefiri assistir as grandes ligas do Velho Continente em detrimento do nosso famigerado Brasileirão.

1) Por eu também ter sido goleiro em minha infância, sempre apreciei belas defesas, reflexo e milagres operados por Preudhomme´s, Pfaff´s, Schmeichel´s, Buffon´s, Van der Sar´s, Kahn´s, entre outros. Sempre tive a sensação de que o goleiro europeu, ou que jogasse em ligas européias, estivesse um passo a frente da evolução, no pensamento e na técnica em relação ao resto do mundo. E por este fascínio é que o segundo ponto se justifica mais ainda.

2) Ainda mais por enfrentar bons goleiros, os gols, e porque não golaços, de tiros rasantes, fortes, certeiros e de todos os ângulos e distâncias possíveis, são para mim sempre os gols mais bonitos em qualquer enquete (excluíndo, claro, obras primas). Falam muito que a bola é melhor, que o gramado bom ajuda e que pode até ser sorte. Eu duvido e aposto o contrário. Em qualquer vídeo marqueteiro é possível ver os futebolistas europeus chutando de longe tentando acertar o travessão, ou equipes de base treinando fundamentos de finalização a exaustão. Sim, na Europa os caras chutam muito porque treinam muito. Quantos gols você já não viu de Gerrard, Lampard, Ibrahimovic, Adebayor, Stankovic, Pirlo, Adriano (alguém lembra de Adriano chutando de 30, 40 metros de distância aqui pelo Flamengo?), Xavi, etc, arrematando de longe?

Porquê estou tocando neste tema?

Por que neste fim de semana começou a Premier League e já vimos uma rodada de estréia cheia de pombos sem asa. Destaque para o golaço do menino Denílson, do Arsenal. Na câmera por trás do gol é perceptível que é pura técnica e consciencia. Ele pega na bola magistralmente e almeja exatamente o lugar onde ela entrou. Ela poderia bater na trave, sair ou ser defendida pelo goleiro, mas ela jamais passaria muito longe daonde ela acabou entrando, no ângulo. Isso é treino, é filosofia de futebol europeu. E essa filosofia abre o leque de opções de ataque. Fica impossível penetrar, então chuta de longe. Aí o time adversário sobe a linha defensiva para tentar evitar o arremate, você pode especular com uma linha do impedimento mal feita. Se o time adversário tenta povoar mais o meio com receio dos chutes, as pontas ficam mais livres. E foi o que aconteceu com o Arsenal. Chutou de longe, entrou. Gol seguinte, cruzamento clássico para o meio da área, posição legal. Depois chutaram de novo de longe, depois cruzaram.
Time bem armado não é aquele que sabe fazer com maestria uma coisa, uma ordem. Time bem montado é aquele que enxerga durante a partida por onde e por quais meios é possível furar a retranca e, sozinho, mudar um sistema de jogo, uma proposta de jogo. Um time bem montado é um time com filosofia de jogo, e para isso você precisa primeiro de um treinador inteligente, mas mais importante, de alguns jogadores inteligentes, caso de Fábregas, Arshavin, Denilson, Van Persie e Gallas. Arsenal virá mais forte do que este singelo blogueiro havia imaginado.
Mas tivemos mais golaços de longe. Mark Noble, um daqueles jogadores que aparece pouco mas é extremamente regular e importante para o esquema de Zola (o tal do Xabi Alonso, que fará muita falta ao Liverpool, por mais que Lucas e Mascherano podem cobrir sua ausência) acertou um belo chute no ângulo do goleiro do Wolverhampton. Penso que o West Ham, juntamente com Fulham e Wigan podem brigar por vagas na Liga Europa do ano que vem.
Por falar em Wigan, que gol do colombiano Hugo Rodallega, o Rodagol!
Abaixo vocês podem ver todos estes gols, em um vídeo Top Five dos gols da primeira rodada, inclusive ainda a venenosa falta cobrada por Drogba e o tiro de Assou-Ekotto, na vitória surpreendente do Tottenham contra o Liverpool.

Já no final de semana passado, na estréia da Bundesliga, Mimoun Azaouagh acertou dois golaços, ambos de chapa e pensados, no ângulo. Detalhe: o segundo gol foi 48 segundos após o primeiro. Oh, minuto abençoado!


Não é fantástico ver chutes assim? Por isso que sempre digo: jogador que for disciplinado vence na carreira. O talento por si só o carrega por 2, 3 anos. Com o trabalho duro, seja fisicamente ou tecnicamente, focando os fundamentos básicos do futebol, é possível fazer de um atleta mediano um grande, ou ao menos importante, jogador de futebol. Telê Santana já havia nos ensinado isso, algo que na cultura esportiva européia nunca foi diferente.
Forte abraço e até amanhã com os primeiros confrontos dos play-offs da Champions League.
Celtic e Arsenal promete!

13 de ago. de 2009

Quarta-feira sonolenta e sem surpresas na Europa

Ontem foi dia de amistosos. Dia inútil, aliás. Se não fosse pelo jogo Holanda 2x2 Inglaterra (aliás que pixotadas da defesa do English Team nos dois gols da Oranje), o dia passaria despercebido. O Brasil venceu com dificuldade a potência Estônia (engraçado, fiquei surpreso em notar que o material esportivo da seleção estoniana é do mesmo fabricante que da camisa canarinho), Itália fez aquele jogo chato de ver contra a Suíça, Espanha provou mais uma vez o que venho dizendo a tempos: a Fúria não tornou-se uma potência, apenas "sãocaetaneou" na Eurocopa de 2008 (convenhamos, não dá para entender com tantos excelentes jogadores).
Mas como este blog tenta ser sério vamos ao que valeu e interessa:
A Alemanha visitou o seu treinador de 1994, Berti Vogts, e a em franca evolução, seleção do Azerbaijão. Venceu só por 2x0, mas o suficiente para abrir 4 pontos da Rússia, caminhando a passos seguros para a vaga ao Mundial. A vitória mereceu menos destaque no maior e melhor site esportivo alemão, Kicker, do que a contratação do volante Mineiro pelo Schalke 04.
A frase "não tem mais bobo no futebol" definitivamente não se encaixa no confronto Ilhas Faroe 0x1 França. Ilhas Faroe, composta por jogadores semi-profissionais já está feliz quando uma equipe do país alcança a 2ª fase classificatória da Champions League (seria interessante ver se alguma já conseguiu tal feito), é uma equipe boba no futebol, sim. Só é menos boba do que a França. É impressionante, e ao mesmo tempo triste, ver que uma geração vencedora de 10 anos atrás não trouxe frutos. A qualidade técnica dos "Bleus" caiu drásticamente e o futebol apresentado é assustadoramente fraco, sem criatividade e sem a ganância necessária que todas as grandes equipes do mundo possuem. Digo aqui: A França não estará na África do Sul!
A Eslovênia goleou San Marino. Tão normal quanto sem importância.
No melhor jogo da noite a Noruega goleou a Escócia por 4x0. Dois gols de um jogador que eu gosto muito, Morten Gamst Pedersen, do Blackburn Rovers. Noruega com 6, Escócia com 7 e Macedônia com 7, brigam pela vaga na repescagem.
Assim como a Noruega, a Croácia também ressurgiu na tentativa de garantir a segunda posição em seu grupo. Derrotou, fora de casa, um concorrente direto, a Bielo-Rússia, por 3x1. O segundo gol foi marcado pelo brasileiro Eduardo da Silva. A croácia abriu 3 pontos para a Ucrânia e 5 para os prórpios beilorussos.
Bom, depois de mais este post um tanto quanto apenas informativo, vou postar na próxima vez uma peneirada nas novas promessas no Velho Continente. Tentarei dar uma pequena impressão de alguns "moleques" bons de bola e que devem estourar para o público mundial nesta temporada que se inicia.
Exemplos não faltam. Aguardem...

11 de ago. de 2009

Ohhh, o futebol voltou e o blogueiro acordou!

Primeiramente olá a todos e feliz temporada 2009/2010.
Assim como o futebol, eu também resolvi tirar férias deste blog. Muito por motivos pessoais, emprego novo e mudança de cidade. Agora este blogueiro mora em Heidelberg, uma pacata cidade universitária mais ao sul da Alemanha. Para os entendidos do futebol, estou no quintal do Hoffenheim, aquele time que espantou a Bundesliga sendo campeão de inverno na temporada passada e que conta com os brasileiro Carlos Eduardo, Wellington e agora Maicosuel.
Ainda pretendo visitar a Rhein-Neckar Arena. O estádio recebe este nome por que está situado nesta região que leva o mesmo nome; nome herdado dos dois principais rios daqui. Rhein é o famoso Reno e o Neckar um simples afluente, que passa por Heidelberg.
Como estamos no pontapé inicial da temporada européia vamos brincar de dar palpitacos e "enxergar" os vencedores das ligas européias. Vou tentar justificar minha escolha.

- Portugal: Porto: time mais rico e mais estável do país. O Benfica do atacante Keirrison e de outros tantos brasileiros não será páreo para o esquadrão argentino do Porto. É tetra do Porto

- Espanha: Barcelona: Barcelona vem quase inalterado este ano. Não gostei da troca de Eto´o por Ibrahimovic. O sueco até pode ser mais habilidoso e mais técnico, porém o camaronês provou ser mais letal, mais decisivo. Mas como quem ganha um campeonato é um time, e o Real Madrid não tem ainda um time montado, acredito que o Barcelona deve vencer La Liga.

- França: Olympique: Lyon investiu pouco e o campeão Bordeaux não dará a mesma sorte da temporada passada. Olympique de Marseille tem uma boa equipe, principalmente do meio para frente.

- Bélgica: Anderlecht: não é porque é o meu time na Bélgica, mas o Anderlecht dificilmente deixará a Jupiler League escapar esta temporada. Único rival mais uma vez será o Standard Liege do atacante e ídolo brasileiro Igor de Camargo.

- Holanda: Ajax: muito difícil fazer uma escolha aqui. PSV faz tempo que não é mais o bicho papão holandês, o Twente não tem tanta força assim, o AZ vendeu algumas peças chaves inclusive perdeu seu treinador Louis van Gaal e o Feyenoord será mais uma vez Feyenoord...

- Ingalterra: Chelsea: até eu estou surpreso com minha escolha. Mas vejo que Liverpool perdeu forças, Manchster United brigará duramente com os Blues e o Arsenal com muito potencial mas ainda não está maduro. Será uma espetacular Premier League, melhor que nos últimos anos.

- Alemanha: Bayern München: mesmo o Wolfsburg tendo a melhor equipe escolhi o Bayern. Simples: mais dinheiro, mais títulos, mais tradição e passou em branco temporada passada.

- Itália: Internazionale: alguém tem dúvidas? Nem é tanto pelo talento do elenco da Inter, ams mais pela fragilidade do Milan e a ainda crescente Juventus.

- Outros países: Turquia - Fenerbahce. Grécia - Olympiacos. Escócia - Rangers. Suíça - FC Zürich. Austria - Red Bull Salzburg. Ucrânia - Shakthar Donetsk. Rússia - Rubin Kazan.

Bom meus amigos. Daqui duas semanas começo meu curso de treinador de futebol na federação de futebol de Hessen, um estado da Alemanha, algo como federação paulista de futebol. Espero com isto seguir minha vida na tocada do futebol de maneira prática e não mais só teórica.
Vou postar agora com mais regularidade e convido a todos participarem do Fantasy Football dos campeonatos da UEFA (Champions League e Europa League), além da English Premier League.

Forte abraço.