17 de ago. de 2009

O chute certeiro do treinamento é a beleza rara do resultado

Particularmente existem dois motivos porque eu adoro o futebol europeu e sempre prefiri assistir as grandes ligas do Velho Continente em detrimento do nosso famigerado Brasileirão.

1) Por eu também ter sido goleiro em minha infância, sempre apreciei belas defesas, reflexo e milagres operados por Preudhomme´s, Pfaff´s, Schmeichel´s, Buffon´s, Van der Sar´s, Kahn´s, entre outros. Sempre tive a sensação de que o goleiro europeu, ou que jogasse em ligas européias, estivesse um passo a frente da evolução, no pensamento e na técnica em relação ao resto do mundo. E por este fascínio é que o segundo ponto se justifica mais ainda.

2) Ainda mais por enfrentar bons goleiros, os gols, e porque não golaços, de tiros rasantes, fortes, certeiros e de todos os ângulos e distâncias possíveis, são para mim sempre os gols mais bonitos em qualquer enquete (excluíndo, claro, obras primas). Falam muito que a bola é melhor, que o gramado bom ajuda e que pode até ser sorte. Eu duvido e aposto o contrário. Em qualquer vídeo marqueteiro é possível ver os futebolistas europeus chutando de longe tentando acertar o travessão, ou equipes de base treinando fundamentos de finalização a exaustão. Sim, na Europa os caras chutam muito porque treinam muito. Quantos gols você já não viu de Gerrard, Lampard, Ibrahimovic, Adebayor, Stankovic, Pirlo, Adriano (alguém lembra de Adriano chutando de 30, 40 metros de distância aqui pelo Flamengo?), Xavi, etc, arrematando de longe?

Porquê estou tocando neste tema?

Por que neste fim de semana começou a Premier League e já vimos uma rodada de estréia cheia de pombos sem asa. Destaque para o golaço do menino Denílson, do Arsenal. Na câmera por trás do gol é perceptível que é pura técnica e consciencia. Ele pega na bola magistralmente e almeja exatamente o lugar onde ela entrou. Ela poderia bater na trave, sair ou ser defendida pelo goleiro, mas ela jamais passaria muito longe daonde ela acabou entrando, no ângulo. Isso é treino, é filosofia de futebol europeu. E essa filosofia abre o leque de opções de ataque. Fica impossível penetrar, então chuta de longe. Aí o time adversário sobe a linha defensiva para tentar evitar o arremate, você pode especular com uma linha do impedimento mal feita. Se o time adversário tenta povoar mais o meio com receio dos chutes, as pontas ficam mais livres. E foi o que aconteceu com o Arsenal. Chutou de longe, entrou. Gol seguinte, cruzamento clássico para o meio da área, posição legal. Depois chutaram de novo de longe, depois cruzaram.
Time bem armado não é aquele que sabe fazer com maestria uma coisa, uma ordem. Time bem montado é aquele que enxerga durante a partida por onde e por quais meios é possível furar a retranca e, sozinho, mudar um sistema de jogo, uma proposta de jogo. Um time bem montado é um time com filosofia de jogo, e para isso você precisa primeiro de um treinador inteligente, mas mais importante, de alguns jogadores inteligentes, caso de Fábregas, Arshavin, Denilson, Van Persie e Gallas. Arsenal virá mais forte do que este singelo blogueiro havia imaginado.
Mas tivemos mais golaços de longe. Mark Noble, um daqueles jogadores que aparece pouco mas é extremamente regular e importante para o esquema de Zola (o tal do Xabi Alonso, que fará muita falta ao Liverpool, por mais que Lucas e Mascherano podem cobrir sua ausência) acertou um belo chute no ângulo do goleiro do Wolverhampton. Penso que o West Ham, juntamente com Fulham e Wigan podem brigar por vagas na Liga Europa do ano que vem.
Por falar em Wigan, que gol do colombiano Hugo Rodallega, o Rodagol!
Abaixo vocês podem ver todos estes gols, em um vídeo Top Five dos gols da primeira rodada, inclusive ainda a venenosa falta cobrada por Drogba e o tiro de Assou-Ekotto, na vitória surpreendente do Tottenham contra o Liverpool.

Já no final de semana passado, na estréia da Bundesliga, Mimoun Azaouagh acertou dois golaços, ambos de chapa e pensados, no ângulo. Detalhe: o segundo gol foi 48 segundos após o primeiro. Oh, minuto abençoado!


Não é fantástico ver chutes assim? Por isso que sempre digo: jogador que for disciplinado vence na carreira. O talento por si só o carrega por 2, 3 anos. Com o trabalho duro, seja fisicamente ou tecnicamente, focando os fundamentos básicos do futebol, é possível fazer de um atleta mediano um grande, ou ao menos importante, jogador de futebol. Telê Santana já havia nos ensinado isso, algo que na cultura esportiva européia nunca foi diferente.
Forte abraço e até amanhã com os primeiros confrontos dos play-offs da Champions League.
Celtic e Arsenal promete!

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